Jaime Neves promovido a general e considerado herói nacional? E onde pára o pudor e a vergonha? Em qualquer país verdadeiramen-te democrático Jaime Neves já teria sido julgado pelo seu envolvi-mento em massacres durante a guerra colonial.
35 anos depois e a verdadeira história da guerra colonial continua por fazer, de tal maneira que se tentam enterrar bem fundo factos que nos deviam envergonhar e pelos quais já devíamos ter pedido perdão.
Que o digam os povos de Wiryamu, Chawola e Juwau todos eles em Moçambique barbaramente massacrados e onde Jaime Neves que então chefiava os Comandos teve papel de destaque.
Pela dimensão e impacto na altura destaco Wiryamu, onde centenas de pessoas, entre elas mulheres grávidas e crianças, foram chacinadas e incendiadas vivas dentro das suas palhotas, corria o mês de Dezembro de 1972.
A tragédia ganha nova dimensão quando em época de celebração de Abril se resolve premiar um dos seus altos responsáveis e promovê-lo a general precisamente pelo seu passado militar.
Em Dezembro de 1972 estava próximo do local da tragédia e senti revolta e vergonha por fazer parte de um exército que se conduzia de tal maneira. Para piorar a situação ainda tive que conhecer pessoalmente a besta humana que dá pelo nome de Jaime Neves, que ainda hoje é contra a independência das ex-colónias...
Não é segredo para os visitantes deste blogue que defendo que todos os criminosos de guerra e dos direitos humanos devem ser julgados independentemente da sua idade, cargo político ou militar. Mário Crespo tira-me do sério porque já é a segunda vez em poucos dias que faz o elogio de Jaime Neves, precisamente porque não pode ele ignorar estes factos porque há época também cumpria serviço militar em Moçambique. Seria preciso ser muito distraído para não se aperceber deles, embora na época o seu cuidado principal fosse acompanhar jornalisticamente Kaulza de Arriaga.
Não se me apaga da memória aquela mulher grávida ferida a tiro pelos homens de Jaime Neves, entre Vila Gouveia e o Guru, e que em boa hora o padre Faria obrigou o "Trinta" a descer o héli e recolhê-la. No chão ficaram dezenas de corpos de inocentes que o único crime que cometeram foi estar no caminho das tropas de Jaime Neves.
Mas estes factos foram riscados do livro oficial da história da guerra em terras de Moçambique. O poder actual age como se já não existissem testemunhas desse período. Mas muitos ainda continuamos vivos para repor a verdade de muitos factos tão vilmente escamoteados. Haja vergonha!
Para quem quiser conhecer melhor o que aconteceu em Wiryamu, pode fazê-lo aqui através de discurso directo do homem que na altura comandava a 6ª Companhia de Comandos, o alferes Antonino Melo, do qual vos deixo dois pequeníssimos excertos:
"...Caprichava-se na escolha da morte. As mulheres eram usadas sem pudor. Os homens caíam à paulada, pisados, outros a tiro. Um soldado de Tete matava as crianças à faca. Atirava-as ao ar como a uma bola de trapos e acabava com as suas graças na ponta da lâmina. Os que tentaram fugir foram abatidos a tiro. Também juntaram homens e mulheres em filas, colocaram-se em cunha, e berravam: «Batam palmas para se despedirem da vida.» De seguida, disparavam. Os corpos que caíam produziam um barulho surdo. Depois cobriam-nos com mato e lançavam o fósforo. As crianças pareciam línguas de fogo entre o fumo."
"...Metiam dez, talvez quinze pessoas, numa palhota, é difícil precisar neste momento. Foi tudo muito a correr, mas quando ficava cheia, lançavam as granadas e fechavam a porta. Passavam uns segundos. Antonino primeiro ouvia os gritos desesperados, silêncio quando as granadas rebentavam, o tecto subia, caía, a palhota incendiava-se. De novo gritos, choro. Poupava-se balas. Morriam queimados. Às vezes, a porta abria-se, alguém tentava fugir. Tiros. «Nestas operações, matar um ou vinte é indiferente. Depois de desencadeada, é para cumprir e seguir em frente. Tudo a eito.» A mesma expressão neutra."...
Assim se faz um herói...
Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2013
Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2013
50 Anos
"Os miúdos já tinham ido para a escola quando parou um carro à frente da minha casa e de lá saiu a senhora do Spínola . Eram oito da manhã. Disse-me secamente: ‘Houve um acidente’. Eu perguntei: ‘Estão feridos?’. E ela respondeu: ‘Não, morreram todos’
Para quem nunca passo por terras da Guiné, Angola ou Moçambique, nunca consiguerá perceber este pequeno texto.
Um grande abraço ao Caseiro, por me ter alertado para a saida resta reportagem.
A todos um grande abraço
Fialho
Terça-feira, 18 de Dezembro de 2012
Feliz Natal...
Amigos e Camaradas,
Parece que foi ontem que estivemos em Estremoz cheios de calor e alegria e eis-nos encasacados e enroscados nas nossas lustrosas rugas esperando pelo Natal.
Camaradas que este Natal vos traga tudo de bom junto de Esposas, Filhos e Netos e que 2013, seja tudo menos o que se adivinha e que rapidamente voltemos a ser felizes enquanto povo.
Votos de Festas Felizes da Família Fialho, canito incluído
Um GRANDE 2013 para todos
Quinta-feira, 13 de Setembro de 2012
20º Convivio da C.Caç 4641 em Estremoz
A avaliar pelas imagens, o Vieira, o Machado e o Silva estão de papinho cheio, mas parecem-me ainda á espera de mais qualquer coisa.É que o grande Sabido não se popou a esforços e não parou de nos dar, para alem da de simpatia, comida e mais comida.
O Bacorinho no espeto, estava de gritos.
Camarigo, para ti um grande abraço e para a patroa , se me permites, um grande beijo.
Para os dois um grande bem hajam.
Este é o espirito com que se sai de qualquer convivio da C.Caç 4641, nomeadamente o ultimo.
Sábado, 1 de Setembro de 2012
1 de Setembro de 1974/2012
Faz hoje precisamente 38 anos que passamos á diponibilidade no então quartel do Ralis na Pontinha em Lisboa
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| O Nosso Natal de 1973 em Mansoa |
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Caseiro, Palma, Almeida e Santos que mais
parecem talibans
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Acho que o 3º Grupo com os Furrieis
Ferreira, Marques e Almeida á cabeça e o resto da cambada que mais parecem os indio da meia praia, com destaque para o meu camarada de armas o Gaito. |
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E quem será o pai das crianças já que as mãos não o denuncia??? Alguem se acusa???'
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Malta peço desculpa, mas não consigo
identificar , alguem dá uma dica??? |
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Maravilha, o grande Alferes Silva e o escriturário da treta, o Fialho.
Pior que ele só o Barbeiro Varela. O Costa, o besunta, tambem era boa peça....
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Amigos, são estes alguns dos retalhos da nossas vidas
Abraços
Domingo, 26 de Agosto de 2012
Almoço Convívio - 2012
No próximo dia 08 de Setembro terá lugar em Estremoz, mais um almoço convívio entre Amigos e Camaradas da CCaç 4641.
Desta vez, o evento será organizado pelo Alentejano e (ex-Alferes) Joaquim Sabido, que tendo perdido o contacto com a malta, foi aqui, neste blog, que reencontrou muito da sua juventude.
Paleio á parte, o convívio está assim organizado:
-Concentração junto ao Café Alentejano na principal Praça de Estremoz.
13 Horas:
Almoço no Café Alentejano – Nas instalações do Clube de Caçadores de Estremoz. Ementa:
- Entradas diversas
- Sopa
- Bacalhau com gambas
- Guisadinho de Javali
- Fruta, doces e café.
17 horas:Merenda
Vamos ver o que se arranja, mas não contes sair cedo.
Merenda tipicamente alentejana, mais importante do que ter é o estar em companhia dos que 38 anos depois, velhos, carecas, e barrigudos, ainda continuam a encontrar estimulo para percorrerem o país para confraternizarem.
Já perguntei a mim mesmo o que leva estes homens, agora com mulheres, filhos e netos, a manter esta amizade, já que, os motivos que os juntaram, tinham tudo a ver com tudo, menos com amizade. Foram aos 21/22 anos colocados perante a morte, numa Guerra que não era sua e que ainda hoje condiciona a vida de muitos no corpo e na alma.
Sábado, 18 de Fevereiro de 2012
Joaquim Mexias Alves
Hoje ao deambular por ai, dei comigo a ouvir o João Braga de Mansoa o ex Alferes Mexia Alves. quem se recorda dele??? O Magalhães quase de certesa.
A todos o grande um bem hajam e um Carnaval cheio de alegria
A todos o grande um bem hajam e um Carnaval cheio de alegria
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